Nova minissérie da Globo abordará temas polêmicos

Podem falar o que quiser da Globo, mas em termos de dramaturgia, ela ainda é imbatível. Apesar das produções da emissora estarem aquém do que eram antigamente, ela continua magnânima do ponto de vista técnico. Há uma semana, o canal disponibilizou o trailer de uma nova série, chamada Justiça. Olha só!

Pelo trailer, já deu pra perceber que a atração promete! Então, seguem alguns motivos para a gente conferir a série.

1. O cenário é longe do eixo Rio-São Paulo

Crédito: Wikipedia.

Diferente da maioria das produções de teledramaturgia, a história de Justiça ocorre na capital pernambucana, Recife! Tá aí um cenário bonito e diferente! O Brasil é lindo e a TV precisa mostrar mais as outras regiões fora do Sudeste. A mudança neste padrão ajudaria, até mesmo, alguns atores, como a Suzana Vieira, a conhecerem melhor o País! Xenofobia não combina com um lugar tão bonito como o Brasil! Sem falar, que o Brasil não é só Rio e São Paulo. Então, que as histórias sejam retratadas em lugares distintos! yes

2. Cada capítulo contará uma história diferente

Crédito: Ellen Soares/Gshow

Durante a semana,  a série abordará a história de quatro pessoas presas, que serão liberadas após sete anos de reclusão. Cada dia (exceto, às quartas, quando a série não será exibida) conheceremos a trama de alguém diferente. O mais legal é que as histórias desses personagens podem ser interligadas.

A protagonista de segunda-feira pode ser uma coadjuvante na terça, uma figurante na quinta e ter uma aparição relâmpago na sexta. A trama não trata de leis ou processos jurídicos, mas sim do conceito de justo sob o ponto de vista ético e moral. Perdão, vingança e arrependimento são alguns dos assuntos em pauta. Em todas as histórias, um personagem comete algum crime e fica preso durante sete anos. A minissérie mostra, também, como essas pessoas reconstroem suas vidas após saírem da prisão (Fonte: Gshow)

Justiça vai mostrar várias histórias de ficção com uma amostra de realidade. Afinal, quantas vezes não vimos reportagens de pessoas que ficam presas por anos por roubar uma galinha ou uma lata de leite? Confira alguns personagens da série, divulgados pelo Gshow:

Elisa

Débora Bloch é Elisa, mãe de Isabela (Marina Ruy Barbosa) Crédito: Ellen Soares/Gshow

Professora na faculdade de Direito, Elisa (Debora Bloch) não é capaz de superar a morte da filha Isabela (Marina Ruy Barbosa), assassinada a tiros pelo então noivo Vicente (Jesuíta Barbosa), que surta ao flagrar a amada nos braços do ex-namorado. O relacionamento com Heitor (Cássio Gabus Mendes), reitor da universidade onde trabalha, até lhe ajuda a seguir sua vida, mas o desejo de vingança não sai de sua cabeça, e ela persiste com a ideia de fazer justiça com as próprias mãos. Já Vicente, que fica sete anos enclausurado, dorme todos os dias com a culpa e o arrependimento do crime que cometeu e tem como grande objetivo de vida conseguir o perdão de Elisa.

Fátima

Fátima, interpretada pela grande atriz Adriana Esteves.

Fátima (Adriana Esteves) é uma mulher trabalhadora que vive muito bem com o marido Waldir (Ângelo Antônio) e os dois filhos Mayara (Letícia Braga/Julia Dalavia) e Jesus (Bernardo Berruzo/Tobias Carrieres) em um sítio na periferia. Sua vida é perfeita até a chegada de seus novos vizinhos: o policial machista e truculento Douglas (Enrique Diaz), sua namorada encrenqueira Kellen (Leandra Leal) e o cachorro Furacão. O animal começa a atazanar a família, até um dia em que morde Jesus, e Fátima perde a cabeça, matando o cão. Para se vingar, Douglas – incentivado pela amada – ‘planta’ drogas no jardim da vizinha, e ela é presa por sete anos. Nesse momento, tudo desmorona e cada um segue seu caminho, dispersando essa família feliz.

Rose

Rose (Jéssica Ellen) e a amiga, Débora (Luísa Arraes). Créditos: Estevam Avelar/Globo

Rose (Jéssica Ellen) é a filha da empregada da casa de Débora (Luisa Arraes), sua amiga desde sempre, e a distinção de cor ou classe social nunca existiu na relação das duas. Quando eram mais jovens, adoravam uma diversão e, em um luau de comemoração de aniversário de Rose, elas compram drogas no quiosque de Celso (Vladimir Brichta) para serem consumidas também pelos amigos.

O problema é que uma batida policial as surpreende no meio da balada. Apenas Rose é revistada por Douglas. Enquanto ela vai presa, Débora passa impune, já que não tem coragem de dividir a culpa. Após sete anos atrás das grades, Rose resolve reencontrar a amiga sem cobrar nada, e descobre que ela se tornou uma mulher fragilizada após sofrer um estupro. Juntas, elas decidem encontrar o criminoso.

Maurício

Cauã Reymond, que pra mim é um grande ator, irá interpretar Maurício. Crédito: Globo.

Maurício (Cauã Reymond) é casado e apaixonado pela talentosa bailarina Beatriz (Marjorie Estiano). A felicidade do casal é abalada quando ela é atropelada por Antenor (Antonio Calloni). Ele é um político corrupto que dá um golpe na empresa de ônibus da qual é sócio e torna-se rico às custas dos outros, inclusive do parceiro de negócios Euclydes (Luiz Carlos Vasconcelos), pai de Vicente.

Após o acidente, Beatriz fica tetraplégica e implora que seu marido faça eutanásia nela. Depois que mata a amada, Maurício vai preso durante sete anos. Quando sai da cadeia, começa a colocar em prática seu plano de vingança contra Antenor, que fugiu sem prestar socorro após o atropelamento.

3. Justiça aborda temas polêmicos e filosóficos

Eutanásia é um dos temas abordados.

Em uma entrevista dada ao jornal O Globo, a autora da minissérie, Manoela Dias, revelou que a inspiração para criar a história ocorreu quando a sua empregada doméstica a pediu para ajudá-la, pois o marido estava preso há uma semana, por matar um cachorro que havia invadido a casa deles. O homem só saiu da cadeia depois da escritora contratar um advogado. Foi a partir daí que ela passou a coletar várias histórias deste tipo e teve o insight de abordar diversas questões como merecimento, arrependimento, ética, moral, vingança e perdão. O ponto crucial que a série destaca é: “Até que ponto a Justiça é realmente justa?”.

4. Trilha Sonora marcante

A Trilha Sonora de Justiça terá grandes nomes da MPB, como Roberto Carlos, Chico Buarque, Erasmo Carlos, Novos Baianos, Fagner, Milton Nascimento e Los Hermanos. Confira a lista divulgada pelo Gshow!

O que será (A flor da pele)
Intérpretes: Milton Nascimento com participação de Chico Buarque
Autor: Chico Buarque

Pedaço de mim
Intérpretes: Chico Buarque com participação de Zizi Possi
Autor: Chico Buarque

Amor perfeito
Intérprete: Roberto Carlos
Autores: Sullivan e Massadas

Gente aberta
Intérprete: Erasmo Carlos
Autores: Erasmo Carlos e Roberto Carlos

Último romance
Intérprete: Los Hermanos
Autor: Rodrigo Amarante

Risoflora  
Intérprete: Elba Ramalho
Autor: Chico Science

Acabou chorare
Intérprete: Novos Baianos
Autores: Luiz Galvão e Moraes Moreira

Revelação
Intérprete: Fagner
Autores: Clessio e Clodo

5. Caracterização focada na realidade

A proposta de Justiça é abordar temas ficcionais, mas com aspectos que circundam o mundo real. Seguindo essa linha, a direção resolveu que os atores adotassem o mínimo de maquiagem e prezou pela simplicidade no figurino.  Para transpor essa realidade pernambucana para a história, a equipe trouxe diversos elementos cenográficos de Recife e também reconstruíram exatamente as locações utilizadas na cidade pernambucana no estúdio da Globo, no Rio de Janeiro.
Apenas o elenco do prostíbulo podia pintar as unhas. Crédito: Ellen Soares/Gshow

A minissérie Justiça terá 20 capítulos e estreará no dia 22 de agosto, segunda, com a história da Elisa (Debora Bloch). A atração começa depois da novela Velho Chico, às 21h18. Vamos torcer para que seja tão boa quanto foi Verdades Secretas!

 

Gostou? Deixe seu comentário

Comentários

Deixe uma resposta