isah 06

Lembro da primeira vez que eu vi a Raísa Carvalho. Foi durante a segunda fase do vestibular para Comunicação Social. Quando entrei na sala de aula para fazer a prova, avistei uma moça estranha, sentada no final da segunda fileira. Ela estava vestida com uma calça camuflada e uma blusa preta de banda. Cabelo estava pintado, mas não sabia ao certo qual a cor. Nos olhos, delineador preto, bem marcado. Enquanto todos estavam eretos nas carteiras, ela estava sentada (ou melhor, deitada), com as pernas estiradas na cadeira da frente, com pose de marrenta. De cara pensei: “Quem é essa figura?” rsrs.

Depois, nos primeiros dias de aula, já gostei da “doidinha”. Alegre, inteligentíssima e muuuito Rock and Roll. Foi assim que a nossa amizade brotou. Ao longo do curso, o sentimento de admiração cresceu, por meio das conversas filosóficas nos corredores e das tentativas dela ensinar para mim um pouco dos estilos de Rock existentes rsrs. Com o término da faculdade, paramos de nos ver com frequência. Até que, a Isah veio estagiar na TV Universitária e, recentemente, trabalhar na Rádio Universitária. Foi na FM 95,9, que a amizade e o respeito entre nós cresceram vertiginosamente.

isah 08
Isah sendo Isah rsrs.

A Isah tem três blogs: Run to the News, Café da Manhã Plutão e A Alta Fidelidade. O primeiro está desatualizado e é focado em notícias sobre o universo do Rock and Roll. Nos demais, ela posta com frequência coisas do cotidiano e pensamentos. Além disso, ela é jornalista da editoria de Cultura do jornal Folha de Boa Vista e já apresentou o programa Rock & História, na Rádio Universitária, FM 95,9. Aqui nesta entrevista, ela fala um pouco sobre sua carreira, seus amores e suas opiniões.

Como surgiu a sua relação com os blogs? Foi por causa do rock?

Cara, na verdade, foi antes da faculdade. Eu gostava de escrever poesias, contos, historinhas e com esse contato com a internet, comecei a escrever em fotologs e a fazer os meus blogs. O Run to the News trata mais notícias sobre Rock e o café da manhã Plutão é mais sobre pensamentos e dia a dia, poemas. No A Alta fidelidade, abordo mais pensamentos, o que eu sou, é bem mais pessoal, um diário.

Isah Carvalho
Café e Rock and Roll são as duas paixões da Isah.

No caso, o Café da manhã Plutão. Qual a origem do nome do blog?

Esse nome surgiu por causa de um programa que eu super gostava da TV Brasil chamado Recorte Cultural, uma atração experimental que no meio das entrevistas o apresentador, Michel Melamed, mostrava trechos de filmes cult antigos e músicas lado B, o que deixava tudo totalmente bizarro. Em uma das exibições, teve uma hora que apareceu um filme irlandês, que se chamava “Café da Manhã em Plutão”. Demorei séculos para encontrar esse filme. Eu não sei o porquê de eu gostar dele mesmo sem nunca ter assistido até então, mas depois de três anos procurando por ele, eu ganhei o filme da minha irmã como presente de aniversário. Aí eu fiquei com esse negócio na minha cabeça, porque “Plutão” eu costumo dizer que me persegue. Tem pessoas que tem o número da sorte ou tem uma palavra ou objeto, eu digo que Plutão me dá sorte. De vez em quanto, quando eu menos espero, ele aparece na minha vida de uma hora para outra. E, na época que Plutão deixou de ser planeta, eu resolvi trazê-lo para minha vida.

Isah, você tem uma relação muito forte com a música. Conta para gente como nasceu o seu amor pelo Rock.

Quando eu tinha 11 anos, eu ganhei meu primeiro CD de rock, que era dos Raimundos. Só que na época, a minha mãe ainda era viva e não ficou satisfeita de eu ficar ouvindo a banda. Para ela, eu era muito criança para ouvir esse tipo de coisa, apesar de ser uma banda muito pop e não tão agressiva como as bandas que eu escuto hoje em dia. Eu gosto de lembrar isso, porque eu gosto de saber que independente do fato dela ter falecido, talvez, eu acabasse criando um lado para o rock and roll. Mas a questão do Rock foi que eu tava com raiva da minha mãe ter falecido e eu precisava botar para fora essa raiva, expressar isso de alguma forma. A única coisa que eu vi, que era extremamente agressivo, era o rock and roll. Ele era agressivo, era rebelde, era tudo que eu poderia fazer para chocar as pessoas. Eu tava falando com uma amiga minha, que esse meu lado pesado foi muito por causa da religião também, porque quando a minha mãe morreu, as pessoas falavam: “Foi a decisão de Deus, você tem que aceitar”.  Então, eu ficava com raiva, com raiva de tudo, não conseguia superar. Foi aí que eu comecei a entrar no universo do rock. Sem falar, na liberdade que eu tinha. Pense em uma situação de uma criança sem um adulto por perto? Porque meu pai também estava tentando lidar com a situação e, por causa disto, não tinha tempo para dar atenção para a gente e eu precisava de alguma coisa e o rock and roll foi o rebelde suficiente que me fez ficar mais à vontade. Na época, eu buscava as letras mais pra baixo, depressivas e fiquei naquela até eu conhecer o heavy metal. Foi esse estilo que trouxe a raiva como uma forma de superação para mim. As pessoas costumam criticar muito as letras do heavy metal, por abordarem o lado medieval, lutas, dragões, mas o que eu interpreto ali é a luta, a superação e de satisfazer a si mesmo, se encontrar. Essa a mensagem que o Heavy Metal passa para mim. Aí eu acabei me apaixonando pelo Rock.

Felicidade, show, rock
O motivo desse sorriso estampado no rosto e de baixo de chuva? Show de Rock! 🤘😌

O seu amor pelo Rock é visceral. Qual a sua banda preferida?

Iron Maiden é a minha banda preferida de todos os tempos. E depois dele, em segundo lugar, seria o Pink Floyd. Mas, o Iron Maiden é o que mais me define. É muito legal você se sentir deslocada durante tanto tempo e depois encontrar um perfil que se encaixe, entendeu? E perceber que independente de qualquer lugar que você esteja no mundo, há alguém que é similar a você. Acho que a minha banda favorita é o Iron Maiden e ela define o estilo que eu gosto mais que é o heavy metal. Apesar de eu ter abertura para outros estilos é pelo heavy metal que meu coração bate mais forte.

Uma vez você falou que a tatuagem tem um valor mais sentimental para você. Quantas tattoos você tem e qual a importância delas para você?

Por enquanto, tenho seis tattoos. Eu gosto das minhas tatuagens, porque elas refletem não a Isah de hoje, mas a Isah que eu era no momento que eu tatuei. Tipo, as pessoas querem uma coisa atemporal, para sempre, perfeita, linda e inédita. Na minha visão não é assim. Não deve ser perfeita, porque você não é perfeito. Para ela te representar, ela também não deve agradar a nada ou a ninguém. Eu gosto de falar que as tatuagens já estão na minha pele e só são desenhadas em cima depois, porque ela é tão eu, tão eu, que ela já está ali em algum lugar em mim, mas as pessoas só passam a vê-la depois que eu passo a tinta por cima da pele. Mas ela já está em mim. Por exemplo, as rosas que eu tenho na pele significam o meu amor pela minha irmã, quando eu fiz a minha primeira tatuagem há 11 anos, é o desenho de uma partitura de uma música do Angra. Ela tinha um significado para mim na época que eu fiz, mas hoje ela já ganhou outro significado. Na época era para mostrar o quanto eu gostava daquela banda, hoje ela significa um marco de independência, pois eu a fiz quando eu tinha 18 anos, quando eu tinha permissão para me riscar. No desenho, eu vejo a Isah que eu era e vejo todo esse processo de transformação, da minha evolução como pessoa.

irmãs, rockes
As irmãs Carvalho: Fellinha e Isah! Quanto amor! ❤️

Acho muito linda a relação que você tem com a sua irmã, Rafaela. Muitos irmãos vivem brigando ou tem apenas um relacionamento fraterno ou mais distante, mas vocês são diferentes, na relação de vocês parece que é tanto amor que transborda.

As pessoas se surpreendem comigo e com a Fella, porque a gente é “eu te amo” o tempo todo, beijinho na cabeça e preparando o aniversário muito antes…. Eu lembro que quando eu era criança, eu ganhava um chocolate e depois guardava para dar para ela. Foi essa a educação que a minha mãe me deu. Às vezes, eu penso que essa era a mensagem que ela quis me passar, que eu tinha que ser carinhosa e amável com minha irmã… Mas, eu pensava: “a Fella é tão pequenina, tão novinha e ela não tem o que as outras crianças têm, como ter carinho, chamego, dormir com a mãe abraçada…”. Quando ela tinha pesadelo, eu dormia de mãos dadas com ela. Eu pensava assim, que eu tinha que amar a Fella como uma irmã ama e eu tinha que suprir o amor de uma mãe para ela, porque ela precisa desse amor. Então, o meu amor por ela é uma somatória: do amor que a minha mãe teria pela minha irmã se estivesse viva e o meu. Por isso, que eu gosto muito de demostrar afeto, não só pela Fella, mas também por outras pessoas, porque a gente perde as pessoas. De uma hora para outra a gente perde, então a gente não pode demonstrar afeto apenas quando está prestes a perder ou quando perde as pessoas. Temos que demonstrar todos os dias.

Sobre o Rock & História, que era apresentado por você na Rádio Universitária, FM 95,9, como surgiu o programa?

O Rock & História tem um formato inovador. Cada convidado traz um tema novo, já falamos sobre sexo, filosofia, religião e, para cada um desses assuntos, nós tocamos músicas extremamente boas e talentosas, que não costumam ter espaço na cidade e estão vinculadas às ideias apresentadas durante o programa. As pessoas participam, mandam ideias, sugestões de temáticas. Até aqueles que não são ligados ao Rock and roll gostam de escutar. Eu digo que é a melhor hora da semana, a mais alegre, poder fazer o Rock & História. Espero que ele volte logo ao ar, na FM 95,9.

Você é jornalista do caderno B da Folha de Boa Vista há três anos. Qual a sua opinião sobre o cenário cultural roraimense? 

A cultura roraimense ainda há de surpreender o resto do país. O que vemos aqui não existe em nenhum outro lugar do mundo. É muito particular. Uma identidade única e eu tenho a oportunidade de ter esse contato diário por meio da página da Folha. É muito gratificante, escrever sobre pessoas que se dedicam à arte. Me considero uma pessoa muito sortuda e vibro todos os dias quando vejo essas pessoas se destacando no cenário cultural.

Dicas da Isah (1)

Obrigada, Isah!! Adoro você e espero que esteja à sua altura!  laugh

Com amor,

R@ph@

Gostou? Deixe seu comentário

Comentários

6 Comentários em #Histórias da Jornalista Raísa Carvalho

    • Raphaela Queiroz
      1 de Abril de 2016 at 22:08

      Fico feliz que tenha gostado, meu amor!! Agora as pessoas vão conhecer ainda mais a pessoa linda que você é por dentro (porque elas já sabem como vc é por fora)! Bjos e saudades

      Responder
  1. Paola Carvalho
    2 de Abril de 2016 at 15:19

    chorei no trabalho lendo a entrevista :~

    ficou lindo, lindo, adorei!

    Responder
    • Raphaela Queiroz
      3 de Abril de 2016 at 11:04

      Own…que lindooo! Obrigada! Fico feliz de vocês terem gostado! Foi feito com muito cuidado e carinho!!Adoro vcs! Bjos <3

      Responder

Deixe uma resposta