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Ela era feliz em seu relacionamento. Já planejava morar junto com Ele há algum tempo. Estavam juntos há três anos. Para os amigos, era o casal perfeito. Mas, esta história ruiu quando Ela flagrou o companheiro com outra.

Quantos casos de traição, como a que mencionei acima, você já presenciou ou já ouviu falar? Isso já aconteceu com alguma prima, amiga, tia, irmã. Enfim, isso acontece todos os dias, desde que o mundo é mundo.  Detalhe: Não só com mulheres, mas com os homens também.

Segundo a Pesquisa sobre a Sexualidade na América Latina, produzida pelo Instituto de Tendências Digitales, divulgada no site OGlobo, dos 11 países que integram a região, o Brasil é o lugar que apresenta os maiores índices de infidelidade e disfunções sexuais. De acordo com os dados, 70,6% dos homens já traíram pelo pelos uma vez na vida. No caso das mulheres, este percentual chega a 56,4%.

                Mas, afinal, o que leva as pessoas traírem? Para mim, existem vááários motivos. Posso citar alguns: falta de sexo, monotonia, escassez de companheirismo e afeto, falta de diálogo, safadeza, dentre outros. Porém, o que é mais comum em todos estes casos de traição: o julgamento das pessoas de fora do relacionamento.

                Quando alguém trai, muita gente passa a “meter a colher” na vida que deveria ser a dois. O julgamento chega a ser cruel para quem não é famoso, imagina quando alguém sem noção, que deveria ser amigo, filma e compartilha nas redes, para que todos do seu bairro, da sua cidade, do seu país e do mundo inteiro vejam! Foi o que aconteceu com a Fabíola, de Minas Gerais.

Para quem não sabe da história dela, que viralizou na internet, faço um pequeno resumo: Fabíola era casada e disse ao marido que iria fazer as unhas. Desconfiado, o esposo junto com um amigo, seguiu a companheira, que na verdade, foi parar em um motel, com um dos melhores amigos do casal. O amigo (sem noção!) que acompanhava o esposo de Fabíola filmou toda a ação que se desenrolou no momento do flagra.

Não sabemos o motivo que levou a mineira a fazer o que fez. Não acho certo, mas nem por isso a condeno. O fato que quero apontar é que a repercussão da história dela nos mostra como a figura da mulher ainda é vista na sociedade brasileira.

No contexto social tupiniquim, a mulher ainda é aquela que gera, que cria os filhos, que cuida da casa, que trata bem o marido, que tem que estar bonita para o esposo, servi-lo em todos os seus caprichos etc. Se o homem trai, é um assunto banal, corriqueiro, na mesa de bar. Mas, o tema muda de figura quando é a mulher, “provedora do lar, da moral, dos bons costumes”, infiel.

Presenciamos uma era conservadora no Brasil. Com a ascensão de Felicianos e Bolsonaros, o país está em uma guerra velada, mas que se torna muito explícita no jogo liberal da internet, em que as pessoas se escondem atrás de um perfil (muitas vezes, fake!) para humilhar, fazer comentários maldosos e injuriosos contra todos.

unfaithful
Cena do filme Infidelidade, no qual o marido (Richard Gere) é traído pela esposa (Diane Lane). Na foto, o amante (Olivier Martinez).

Nesta situação triste em que a sociedade brasileira vive, a Fabíola é a bola da vez. Ela traiu, merece ser julgada! Ela é a culpada de tudo! Ela é uma safada! Merece ser espancada! Expulsa da sociedade! Sim, porque ninguém julga o marido que bate nela enquanto o amigo filma. Ele é a vítima, diz a sociedade. A mesma sociedade que representa 3 milhões de pessoas no site de relacionamentos extraconjugais Ashley Madison.

 

 

 

 

 

 

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