Créditos da foto: Divulgação/Ricardo Saibun/Santos FC.

Os roraimenses devem se orgulhar de muita coisa. Temos acesso ao canto dos pássaros ao acordar, não temos trânsito (Ainda! don-t_mention), moramos perto de tudo, estamos em um lugar privilegiado pela natureza (aqui tem de tudo: serra, rios, cachoeiras!), nossa comida é maravilhosa, gostamos de fazer amigos, temos uma cultura riquíssima e miscigenada, e principalmente, batalhamos muito para alcançar o que desejamos. Quando nosso sonho é tão grande, que ultrapassa fronteiras, temos que travar uma luta que é, de certa forma, solitária. Saímos do nosso lar, do aconchego da família e dos amigos, da comodidade de ir bem ali, para irmos lá, bem longe. Esses, que deixam de lado a comodidade de ficar em Boa Vista para ir atrás do que acreditam, são guerreiros e merecem todas as honras de ser um orgulho. Thiago Maia, jogador do Santos F.C, é um destes nomes que nós enchemos a boca para falar: “Sim! É daqui de Roraima! Meu conterrâneo!”.

Thiago Maia, jogador de futebol

@tmaia97 ✌🏽️

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Quem vê o sucesso de hoje, ao lado do poderoso e midiático Neymar,  não sabe os diversos perrengues pelos quais Thiago passou. Graças aos seus pais, Vanda e Joel, que sempre o apoiaram, ele foi para São Paulo e lá chegou a passar fome. Em uma reportagem publicada no Globo Esporte, ele conta toda a sua trajetória:

“Comecei jogando na escolinha do CTG (Centro de Tradição Gaúchos), com oito anos. Joguei futebol de salão depois. Aí um amigo da família disse que ia me levar para o Corinthians. Minha mãe ficou meio receosa, mas eu fui, só que não passei no teste. Foi quando eu quis desistir. Estava sem minha mãe. Eu entrei em outra escolinha de futsal, na Penha, em São Paulo. Depois, o técnico de lá me levou em vários clubes para fazer testes, mas as minhas condições não eram boas. Entrei no São Caetano, pegava metrô e ônibus todo dia e ganhava R$ 70. Dava só para dois dias de condução. Tinha de comprar comida ainda. Só que me pediram exame para entrar no clube, mas eu não tinha dinheiro para pagar e saí. Aí fui fazer um teste em uma outra escolinha, mas eu era mais tipo Lucas Lima, meia, colocava a bola para os atacantes. Precisavam de um volante e eu joguei. Acho que foi o melhor treino da minha vida. O Bebeto, que hoje não está mais no Santos, me viu e me pediu para ir para o Santos. Logo em seguida, já disputei o primeiro campeonato”.

Além de todas essas dificuldades, Thiago passou ainda por outras provações, como ter a mãe doente e ficar momentaneamente sem andar, por conta de um choque com outro jogador durante uma partida. Mas, ele venceu todos esses obstáculos e, hoje, é membro da elite do futebol brasileiro, ao ser convocado para ser um dos atletas da seleção olímpica. #Orgulho bravo 

Danilo Rodrigues, Judoca

Danilo Rodrigues ao lado do sensei, Paulo, em 2015. Este ano, ele ganhou a medalha de ouro em competição de Judô realizada nos Estados Unidos. Créditos: Folha de Boa Vista

Outra pessoa, que assim como Thiago, sabe o que é luta desde cedo, é o judoca Danilo Rodrigues. Com apenas 12 anos, o menino é exemplo de perseverança! Dedicado aos treinos e obediente aos conselhos do sensei Paulo César, o pequeno rapaz já alçou voos internacionais, representando o Brasil no US Open, em Fort Lauderdale, na Flórida, evento que reuniu equipes de toda América, Europa e Ásia. Em terras americanas, ganhou medalha de ouro levando consigo o nome de Roraima.

Danilo é totalmente focado durante as competições. Créditos: Judô Pics/Facebook
Danilo é totalmente focado durante as competições. Créditos: Judô Pics/Facebook

Mas, para ir aos Estados Unidos, Danilo travou muitas batalhas longe dos tatames. A mãe dele, Natalie Mota, vende doces, faz rifas e feijoadas para incentivá-lo a participar das competições esportivas.  Com duas filhas pequenas, ela faz o que pode para conseguir realizar o grande sonho do judoca: ser campeão olímpico. victory

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Danilo Rodrigues, com a mãe, Natalie Mota. Créditos: Leandro PX.

Ronaldo Silva, professor de Boxe

Ronaldo Silva, professor de Boxe, é idealizador do Projeto Atleta Olímpico.

Mais uma história de superação: a do professor de boxe Ronaldo Silva. Ele é responsável pelo projeto Atleta Olímpico, que incentiva os jovens carentes a subirem nos ringues e adotarem o esporte como um estilo de vida.

Silva é dono da Academia de Boxe America Champion, localizada ao lado da Maternidade, e lá transforma seus alunos em medalhistas, mesmo sem incentivo do Governo ou da Prefeitura. Dentre eles, está Andressa Silva,  única mulher a representar Roraima nos três últimos Campeonatos Brasileiros de Boxe, onde já ganhou duas medalhas de bronze e uma de prata.

Andressa Silva ladeada por outros atletas do projeto Atleta Olímpico. Créditos: Acervo Pessoal.

Andressa é filha de Ronaldo e, por isso, apresenta em seu DNA a paixão pelo boxe. Todos os irmãos dela também atuam na academia e disputam campeonatos locais e nacionais. Exemplo de família unida pelo esporte yess .

Thiago, Danilo e Ronaldo são apenas alguns dos milhares de guerreiros roraimenses, que lutam dia após dia por um lugar ao sol, que saem de Roraima em busca dos seus sonhos e que, apesar das dificuldades diárias, não se deixam esmorecer em nome do esporte. Por todo esse sacrifício, vocês são Orgulho de Roraima.

Espero que tenham gostado deste post! Estamos em clima da Olimpíada! Falta pouco pra começar #Rio2016.

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Comentários

2 Comentários em Thiago Maia não está só

  1. Alcir José
    28 de julho de 2016 at 04:31

    Boa noite,
    Interessante texto , sem querem tirar o mérito do Danilo que foi campeão em um torneio aberto, no qual não é preciso seletiva alguma , basta se inscrever e estar presente. Mas honra seja dada ao atleta Aristides Lucena ,tbm do Judô que trouxe não só a medalha inédita de ouro no campeonato brasileiro , foi na Argentina buscar não só o campeonato sulamericano quanto o Panamericano . tal ato se torna praticamente inalcançável dentro do Judô em nosso estado . Taís títulos sim devem ser exaltados pois não foi o colocaram em altíssimo lugar dentro do ranking nacional , sul e panamericano. Mas que tão pouco foi divulgado pelos veículos de comunicação.

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    • Raphaela Queiroz
      28 de julho de 2016 at 15:11

      Olá, Alcir! Obrigada por conferir o post! Você é sempre bem-vindo! Obrigada por compartilhar a história de Aristides Lucena! Ele é sim um dos orgulho de Roraima, assim como o Danilo Rodrigues. Esperamos que todos os atletas do nosso Estado sejam reconhecidos devidamente, um dia! Abraço,

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